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O que é isto?

Relicário

 

 

 

 

 

            Ao escutar a  música  Relicário, de Nando Reis, cantada por Cássia Eller, de cara gostei. Foi assim como uma paixão a primeira vista, que você não sabe porque, mas gosta e pronto.  Hoje, quase seis anos depois, acabei de ler o livro da vida e obra de Cássia. Pude saber mais da artista e aprender que nem sempre encontramos o que queremos saber onde procuramos. De uma leitura despretensiosa a uma leitura interessante e cheia de novidades, fluí como quem não quer nada, querendo tudo saber. 

 

            Através da leitura, lembrei de alguns momentos vividos onde a música dela me marcou e os  discos dela, em especial o que tem a música Relicário. Música, minha eterna paixão, me permite lembrar de muitos acontecimentos, que de outra maneira estariam esquecidos.  A leitura do livro me remeteu a pensamentos que não queria, mas que me que mostrava como crescemos, no dia a dia, sem perceber. Isso é bom e ruim, depende como encaramos nossas verdades.

 

            A notícia da morte da Cássia me chegou em um momento de completo “relex”.  Estava dentro da piscina da casa de férias, nas Região dos Lagos quando meu sobrinho me gritou a notícia. Não acreditei, mas devido a insistência dele me dei conta da tragédia.   Era final do ano de 2001 e lembro que me revoltei pensando porque não morriam outros artistas ruins como Vanessa Camargo, Sandy, etc,  e que por qualquer motivo continuavam ali, a propagar seus horríveis trabalhos.  Não, Cássia Eller, não!!  Hoje, quase quatro anos depois estou em contato com ela, mesmo que através do livro, sabendo muito da vida dessa mulher.  Viveu uma curta vida, mas intensa.  Drogada muitas vezes, irreverente, amiga, amante, louca, talentosa, despreparada para vida, Cássia nos legou uma obra que será sempre lembrada.  Ela exaltou o amor, ao seu jeito, a maternidade e a amizade. Nos brindou com a modernidade de seu filho Ter ficado com a sua mulher após a sua morte. Sua eterna mulher, companheira e amor.

 

            Esse é o meu tributo, tardio pode até ser, mas com toda a intensidade de quem gosta.  Podem acreditar que estarei em contato com Cássia através dos seus discos e DVDs por muito, muito tempo. 



 Escrito por Cacá às 01h58
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Ciclos

 

“Sinto o abraço do tempo me apertar

E redesenhar minhas escolhas.”

(Abril – Adriana Calcanhotto)

 

            Nestes últimos tempos tenho escrito muito sobre filmes, shows e dicas culturais em geral e me afastado um pouco de minha vida pessoal. Também nunca foi o forte deste blog relatar a comédia da vida privada. Não sei por que, mas com o final do ano se aproximando (e graças a Deus este ano está acabando) senti necessidade de fazer um pré-balanço deste que esteve longe de ser um de meus melhores anos. Conturbado em vários aspectos, já iniciado com um grande baque, o ano foi mais de reflexão e descobertas (algumas não muito agradáveis) do que de ação propriamente dita. Tem também aquele hiato que divide a formação acadêmica e o ingresso efetivo no mercado de trabalho, que ainda não aconteceu.

Teve a expectativa no Mestrado que, em parte foi correspondida, em parte foi frustrada. Mas não quero lamentar nada. Agora é tempo de cumprir um ciclo, deixar pra trás o que não vale a pena e recomeçar com força total, mas agora com mais clareza em minhas escolhas.

            Às vezes, é muito melhor deixarmos uma coisa pra trás do que ficar tentando fazer com que dê certo em vão. O melhor é buscarmos sempre um novo caminho. Pela primeira vez estou fazendo análise e está sendo muito bom. Já que eu não posso mudar o que não me agrada, posso pelo menos entender melhor as coisas.

            Todo esse blá-blá-blá egocêntrico, na verdade, é pra dizer que, mesmo que as coisas não saiam da maneira que a gente quer, no fim tudo vale a pena. Temos ciclos a cumprir. E algo dentro de mim insiste em me dizer que este tenebroso e depressivo hiato está passando e agora é tempo de arrumar a casa e preparar a vinda de um novo ciclo, este sim, de mais bonança e alegrias.



 Escrito por Werther-Pan às 00h20
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"A minha, a sua, a nossa favorita!!!"

          

           Quase um mês depois da partida de nossa querida Emilinha Borba, ainda escrevo um texto que estava sendo preparado em minha mente durante este tempo. Acho que a mídia, imediatista e efêmera, subestimou a morte da grande rainha do rádio. A princípio, foram publicadas pequenas notinhas e breves reportagens sobre o fato de seu falecimento, acreditando-se que isto não teria grande relevância para o Brasil atual, afinal, Emilinha fora uma estrela de outrora e hoje sobrevivia praticamente de vender seus discos em praça pública. Reflexos de um país cruel que não respeita seus velhos. Emilinha na praça e milhões de idosos nas filas dos hospitais do SUS. Triste.

            Mas o que a princípio parecia não ter muita relevância acabou surpreendendo, pois a repercussão da morte de Emilinha veio nos mostrar que estrelas são sempre eternas e por mais que seja um clichê, quem é rainha não perde a majestade. Em lugar de um velório triste, soturno e solitário, o que se viu foi milhares de fãs afileirando-se para dar um último adeus a sua grande ídola. Sim, estive no velório de Emilinha. Naquele dia, fui assistir a um filme no Odeon e depois acabei sendo atraído para aquela grande aglomeração em frente à Câmara Municipal, onde a cantora era velada. Além dos artistas daquela época, milhares de senhorinhas, comovidas, acotovelavam-se e tentavam adentrar o recinto para ver Emilinha pela última vez. Visivelmente comovidas, as senhorinhas, no entanto, ao invés de chorarem, cantavam antigos sucessos e repetiam a todo o momento o lema daquela que sempre levará o título de “A favorita da Marinha”: “A minha, a sua, a nossa favorita”!!!

            Tudo isso me comoveu: desde a ovação do público ao final do velório até a chegada do padre, que ao entrar ouviu de uma fã: “Padre, reza pela alma dela, tá?”. Realmente comovente. A conclusão a que se chega é que já não se fazem fãs como antigamente. Se hoje as tietes cultuam olhos azuis, rostinhos bonitos e bundas bem torneadas em detrimento do talento, as tietes de ontem admiravam realmente o brilho verdadeiro de uma estrela. Sem querer ser saudosista, mas já sendo, não vejo hoje afeto parecido de um fã para com seu ídolo, nem tão verdadeiro. Assim como a Tieta de Jorge Amado, Emilinha recebeu o descaso da mídia, mas não foi abandonada por seu grande público. Quem passou na Cinelândia naquela tarde ensolarada comprovou que a morte de Emilinha merecia ter tido bem mais reconhecimento por parte da mídia do que realmente teve. No mínimo, um “Globo Repórter”, um show em seu tributo e uma página inteira de jornal. Mas não tem problema. Tal comoção fez até com que sua morte ganhasse um pouco mais de espaço com a publicação do Caderno “Rio Show” de uma reportagem sobre o Rio dos tempos de Emilinha. Sinal de que uma chama ainda está acesa e de que quem é grande não morre jamais. Já é hora de valorizarmos, não apenas nossos ídolos, mas nossa própria trajetória.



 Escrito por Werther-Pan às 00h18
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